Durante a COP30, o governo federal anunciou a criação de uma entidade pública que será responsável por gerenciar, rastrear e certificar todos os dados de reciclagem no país.
A proposta busca aumentar a credibilidade do setor e reduzir práticas de greenwashing, ainda comuns em larga escala. Hoje, segundo dados oficiais, o Brasil recicla apenas 8% das quase 30 milhões de toneladas de resíduos sólidos urbanos com potencial de reaproveitamento, enquanto a geração total supera 80 milhões de toneladas por ano.
O novo modelo foi desenhado para enfrentar esse descompasso ambiental e econômico. De acordo com o Ministério do Meio Ambiente, a entidade terá autoridade para regular todas as cadeias de materiais, estabelecer critérios de comprovação e garantir números auditáveis e alinhados à logística reversa.
Entre as diretrizes, estão a regulação de todos os recicláveis, a exigência de conteúdo reciclado mínimo em novas embalagens e o rastreamento completo da cadeia — da cooperativa de catadores à indústria.
A iniciativa envolve governos, empresas e entidades setoriais e reforça o avanço de uma política nacional de economia circular mais consistente.
Paralelamente, o governo anunciou a ampliação da plataforma Recircula Brasil, desenvolvida pela Abiplast e ABDI. A solução já rastreou 50 mil toneladas de plástico e deve chegar a 250 mil toneladas até 2026.
Baseado na conferência de notas fiscais, o sistema confirma origem e destino dos materiais e reduz fraudes ao longo do processo. Agora, será expandido para setores como alumínio e têxtil, dentro de uma Sociedade de Propósito Específico pública, que manterá a confidencialidade dos dados.
Segundo o MMA, a Recircula Brasil terá capacidade para verificar até 27 milhões de toneladas de resíduos por ano.










