O ritmo acelerado da moda e o consumo crescente de tecidos deixaram um rastro visível no Brasil ao longo do último ano. Dados compilados por órgãos como o IBGE e o Ipea em 2025 confirmam uma tendência preocupante: a geração de resíduos têxteis não para de subir. O problema, no entanto, vai além do volume de descarte; ele esbarra em um “ponto cego” de informações que impede que o país lide de forma eficiente com essas sobras.
Atualmente, a maior parte do que é descartado acaba em locais inadequados, como lixões e aterros clandestinos. Isso ocorre porque o Brasil ainda carece de uma legislação específica e de sistemas de rastreamento que permitam saber de onde vem e para onde vai cada peça de roupa ou rolo de tecido. Sem dados padronizados, a indústria e as recicladoras encontram dificuldades para trabalhar juntas, o que trava o avanço de um modelo de produção mais sustentável.
Apesar dos desafios herdados do último ano, 2026 começa com sinais de mudança. A cidade de São Paulo deu um passo prático com a abertura do primeiro Ecoponto Têxtil, uma unidade dedicada exclusivamente a receber esses materiais. Além disso, o Governo Federal avançou nas discussões do Plano Nacional de Economia Circular (PLANEC), que propõe que a responsabilidade pelo lixo seja compartilhada entre quem produz, quem vende e quem descarta.
Essa movimentação nacional não acontece de forma isolada. Existe uma pressão internacional crescente por transparência, exigindo que as marcas comprovem a origem de suas matérias-primas e garantam um destino correto para o que não é vendido. Para especialistas, o segredo para transformar esse cenário em 2026 está na organização da informação: criar bases de dados confiáveis e estabelecer padrões de triagem são as ferramentas necessárias para que o resíduo deixe de ser um problema ambiental e se torne matéria-prima novamente.
O cenário desenhado em 2025 serviu como um diagnóstico de urgência. Agora, a expectativa para este ano é que as iniciativas estruturais saiam do papel, consolidando uma nova etapa onde o setor têxtil brasileiro possa, finalmente, alinhar o lucro à preservação do meio ambiente.










