Uma descoberta realizada por pesquisadores da USP em Ribeirão Preto promete transformar a forma como lidamos com a poluição invisível dos recursos hídricos. O grupo desenvolveu uma tecnologia capaz de extrair 92% de resíduos plásticos da água em um intervalo de apenas duas horas. O foco principal da inovação é o Bisfenol A, um composto químico utilizado na fabricação de plásticos que, além de ser resistente aos sistemas de limpeza tradicionais, está ligado a diversos riscos para a saúde humana.
O grande diferencial da pesquisa, detalhada recentemente no International Journal of Environmental Science and Technology, está na união de duas forças diferentes: a biologia e a química. Os cientistas Alexandre Carneiro Cunha e João Carlos de Souza descobriram que, ao combinar enzimas extraídas de fungos com tratamentos eletroquímicos, o resultado é muito superior a qualquer tentativa isolada.
Até então, as técnicas aplicadas separadamente conseguiam remover, no máximo, 35% desses poluentes. Ao trabalharem em conjunto, essas ferramentas não apenas capturam os resíduos, mas transformam substâncias perigosas em subprodutos que a própria natureza consegue decompor. Essa sinergia resolve um dos maiores gargalos das estações de tratamento de esgoto atuais, que muitas vezes devolvem a água aos rios ainda contendo micropoluentes que afetam a vida marinha e o abastecimento público.
Após o sucesso absoluto nos testes controlados em laboratório, o próximo passo da equipe é levar a tecnologia para o mundo real. O desafio agora é adaptar o sistema para que ele funcione em larga escala, permitindo o tratamento de grandes volumes de água em centros urbanos.
A inovação brasileira surge como uma resposta estratégica para o saneamento básico, oferecendo uma rota mais limpa e eficiente para proteger os ecossistemas. Mais do que um avanço técnico, o projeto representa um passo importante para garantir que as futuras gerações tenham acesso a uma água livre de contaminantes químicos persistentes.










