ExpoCatadores 2025 consolida o protagonismo da reciclagem popular na economia circular

O Pavilhão de Exposições do Anhembi, na capital paulista, foi palco na última semana de um movimento que vai muito além da gestão de resíduos. Encerrada na última sexta-feira (19), a ExpoCatadores 2025 reafirmou sua posição como o principal fórum global da categoria, colocando em pauta a necessidade de uma “transição justa” — termo que defende que a mudança para uma economia verde não pode deixar para trás os trabalhadores que sempre estiveram na base da sustentabilidade.

Durante os dias de evento, o foco saiu das máquinas e voltou-se para as pessoas. Com o lema de que os catadores devem ocupar o centro da circularidade produtiva, a programação promoveu debates profundos sobre o financiamento do setor, os direitos trabalhistas e o futuro de materiais complexos, como os plásticos. Mais do que discutir a “pegada de carbono”, o encontro buscou humanizar as estatísticas ambientais, unindo tecnologia e logística reversa à realidade social de quem vive da coleta.

Um dos momentos mais significativos desta edição foi o reconhecimento institucional e a qualificação profissional. A entrega do Selo Amigo dos Catadores e a formatura da UNICATA, a universidade voltada especificamente para essa categoria, demonstraram que o movimento amadureceu. Agora, além da prática diária nas ruas e galpões, há um investimento robusto em formação técnica e estratégica para que esses agentes ambientais ocupem postos de liderança na cadeia de valores.

Para os representantes do movimento, como as lideranças da Ancat e da Unicatadores, o encontro em São Paulo representou um divisor de águas. O sentimento compartilhado é de que a identidade coletiva da categoria saiu fortalecida, especialmente após a visibilidade internacional conquistada na COP 30. A articulação entre as bases brasileiras e alianças globais projeta o Brasil como uma referência em reciclagem popular que une justiça climática e inclusão econômica.

Como manda a tradição, o encerramento não foi apenas burocrático, mas cultural. O Natal dos Catadores celebrou a história de luta da categoria, unindo a reflexão política ao espírito de confraternização. O legado da ExpoCatadores 2025 fica agora como um roteiro para empresas e órgãos públicos: não existe futuro sustentável sem o reconhecimento e a integração digna daqueles que transformam o descarte em recurso.

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